sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dona Naná, a cozinheira pleonástica

   Dona naná, a cozinheira da fazenda, sabendo que Lilica adora comer bolo recheado, chama-a na cozinha:
    --Lilica, venha cá.   Vou preparar, para o lanche da tarde, um bolo diferente, uma "criação nova".   Eu nunca fiz outro igual antes.   Vou misturar os ingredientes sem "planejamento antecipado".   E é "expressamente proibido" espiar" até o "acabamento final".  Vai ser uma"surpresa inesperada" para todos.
    Lilica adorou a ideia e, com aquela carinha safada que só ela tem, saiu rindo baixinho:
    "Tadinha da Naná.   Ela andou lendo uns ivros meus e agora deu pra falar difícil.   Bem, ela pensa que está falando difícil, mas na verdade,  está falando a mesma coisa usando palavras diferentes.

(texto de:  Hirtis)

   
   

Literatura Infantil

    "As crianças são os leitores mais dispostos, atentos, curiosos,  observadores, sensíveis, rápidos e geralmente simpáticos na face da terra.
    Eles aceitarão tudo o que você lhes apresentar, desde que o faça com honestidade, clareza e coragem."

                                                        (E. S. White)



    "Devemos escrever para as crianças do mesmo jeito que escrevemos para os adultos
    Só que melhor,"

                                                                     (Maximo gorki)


    Sobre MONTEIRO LOBATO ; especialistas brasileiros no assunto costumam dizer que  a Literatura Infantil no nosso país só pode ser estudada em dois períodos: antes de LOBATO e depois de LOBATO.

    "Acho a criatura humana muito mais interessante no período infantil que depois de idiotamente adulta.  As crianças acreditam cegamente no que digo; o adulto sorri com incredibilidade.

                                                                              (Monteiro Lobato)

    "Uma coisa que sempre me horrorizou foi ver o descaso brasileiro pela criança, isto é,  por si mesmo, pois a criança não passa de nossa projeção para o futuro.(...) é trabalhando a criança que se consegue boa safra de adultos.

                                                                             (Monteiro Lobato)

    "O Mundo da Fábula não é nenhum mundo de mentira, pois o que existe na imaginação de milhões e milhões de crianças é tão real quanto as páginas do livro.  O que se dá é que as crianças logo que se transformam em gente grande fingem não mais acreditar no que acreditamos."

                                                                       (Dona Benta)

    "Acho que o único lugar do mundo onde há paz e felicidade é no sítio de Dona Benta.
    Tudo aqui corre como um sonho."

                                                                               (Emília)

   

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Notícia urgente

   Lilica brincava com suas bonecas no quarto cor-de-rosa.   O rádio estava ligado num programa musical.   Lilica gosta muito de música.
    A música parou ´no meio...Uma voz diferente e forte interrompeu a programação:
    --Senhores ouvintes da "Rádio Nacional", deixem o trabalho de lado por um instante só.   Uma notícia,  em caráter de urgência, chegou até nós e acreditamos ser do interesse de todos. 
    Um  morador da periferia de São Paulo, ao chegar do trabalho, encontrou um elemento estranho dentro de casa.   Provavelmente, a procura de dinheiro e jóias,  já tinha revirado tudo: as roupas do armário estavam espalhadas pelo chão,, as gavetas abertas e  reviradas,  papéis e documentos voavam por todos os lados.   Provavelmente, ele estava faminto,  pois a  geladeira estava aberta e, sobre a pia da cozinha, viam-se potes de danones vazios, latas de refrigerantes amassadas e pacotes de bolacha abertos;  comida e caroços de frutas  esparramados pelo chão.   Desordem geral.  
    Assim que o intruso percebeu a chegada do morador, num pulo só, saltou pela janela  e desapareceu.
    O Senhor João está apavorado, pois, apesar da rapidez e agilidade do indivíduo, conseguiu vê-lo e afirma nunca ter visto nada igual.   Fiquem atentos e denunciem no "190",  caso tomem conhecimento do seu paradeiro.
    O safado é afro-descendente,  tem uma perna só,  fuma cachimbo e usa gorrinho vermelho na cabeça.
    Obrigado pela atenção e, agora, fiquem novamente  com a programação musical da "Rádio Nacional".  


(texto criado por:  Hirtis)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O saci-pererê apareceu na fazenda da Lilica

    Dona Tereza, mãe de Lilica, levantou-se bem cedinho para preparar o café da manhã.
    Logo as crianças estariam acordadas.   Era hora de ir pra escola.
    Quando  entrou na cozinha quase desmaiou de susto. 
    --Um furacão passou por aqui?
    A mesa estava virada de pernas pro ar, os pães  colocados dentro da geladeira, o pó de café escondido dentro do sapato  atrás da porta, o bule cheio de detergente e as xícaras?  
    --Onde estão minhas xícaras?   Meu Deus,  onde estão?   O que aconteceu nesta casa?
    Dona Tereza ouviu uma gargalhada bem safada. Um molequinho negro de uma perna só, gorro vermelho na cabeça e fumando cachimbo saiu de trás do armário e, num pulo só, sumiu por entre as árvores do pomar.
    Era o saci-pererê
 

    (texto de:  Hirtis)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma menina diferente das outras meninas

Fazenda da Lilica
                                                                 "LILICA"


   Lilica é o nome da menina que vocês vão conhecer agora.   Não é a "Lilica Repelica", não.   Ela é filha de um casal que tem mais duas crianças: o Leo com dez anos e a Leninha com oito.   Formam uma família muito legal e moram na fazenda "Vivenda Feliz".
    Quando Lilica nasceu, foi uma festa!   Todos aguardavam a sua chegada com muita ansiedade.
    No primeiro banho, a mamãe Tereza percebeu um detalhe diferente na barriguinha do recém chegado bebê.   Havia uma pinta grande  acima do seu umbigo com formato de estrela, uma estrela muito bem desenhada.   Dona Tereza chamou a vovó pra ver aquele sinal.   Seria Lilica uma criança diferente das outras?   Ou não, aquele sinal  seria como outro qualquer?
    Nossa, as  crianças cresceram e  agora Lilica já tem seis aninhos  e está uma menina graciosa, muito  comunicativa, gosta de conversar com todo mundo e até com os bichinhos.   É amiguinha de todas as crianças da fazenda.   Ela é a "queridinha" de todos.  Na fazenda moram muitas crianças, filhas dos colonos,  os adultos que  cuidam das plantações e de todos os trabalhos que vão surgindo por lá.
    Lilica tem a pele morena clara, os cabelos compridos pretos  que mais parecem uma noite  eescura sem nenhuma estrelinha no céu;  seus olhos são grandes e pretos feito duas jabuticabas grudadas no pé.
    É a fã número um da  "Hello Kit".   Tudo seu é cor-de-rosa: os lacinhos que prendem e enfeitam seu cabelo, os aneis e pulseirinhas, e até as paredes do seu quarto são forradas de papel rosa com florzinhas espalhadas.   É uma maravilha!
    Lilica é apaixonada pelos animaizinhos.   Tem uma poodle, a Cherry, branquinha que mais parece bola de algodão.   São inseparáveis.   Cherry entende tudo que a menina fala e é tão esperta e danada quanto Lilica.
    Lilica é a criança mais destemida do "pedaço".   Não tem medo de nada.   Nem adianta quando alguma criança quer assustá-la.   Ela não dá nem bola...   Todos vão à escola num micro-ônibus que passa na fazenda pra pegá-las.   Escondido dos pais, Lilica vai a pé todos os dias.   Sabe por quê?   Porque no caminho vai encontrando animaizinhos e muitos insetos; brinca e conversa com todos eles.   Até parece que ela conhece a linguagem dos animais.   Já encontrou um sapo a beira da lagoa.   Esqueceu da vida.   Ficou ali brincando distraída  por muito tempo.  O sapo gostou da menina e de suas brincadeiras: pulava na água e saía...Pulava e saía...  E Lilica fingia que ia pular também , mas ela não podia molhar a roupa.   Meu Deus, de repente se lembrou da vida.      Saiu  em disparada.   Chegou atrasada às aulas.   Levou bronca da professora.
    Outro dia, encontrou um passarinho caído debaixo de uma árvore lá no pomar. Era um bem-te-vi, pois tinha as penas do peito bem amarelinhas.  Ele piava um pio triste. Sua asinha direita estava ferida.   Levou-o para casa,  deu-lhe água e grãozinhos de arroz cru.  Com muito cuidado e carinho alisou suas penas, pensando como faria um curativo, pois a avezinha estava sofrendo.   De repente, como num passe de mágica, a avezinha parou com aquele pio triste, bateu as asas e saiu voando feliz e curada.    Desapareceu por entre o arvoredo do pomar, mas Lilica continuou ouvindo por um certo tempo o pássaro cantando:  "bem-te-vi...bem-te-vi".
    A princípio, Lilica ficou apreensiva perguntando a si mesma:O que será que aconteceu?   Algum milagre?   Como o passarinho ficou sarado assim de repente? Não contou pra ninguém e com o tempo nem mais se lembrou daquilo.   Criança esquece logo das coisas.
    Dona Naná é a cozinheira da fazenda.   Ela é muito querida por todos.  É uma senhora calma, amorosa e de fala mansa.   Todos adoram os quitutes deliciosos que só ela sabe preparar.   Já faz parte da família.   Trabalha com eles há mais de vinte anos e não tem mais ninguém neste mundo.    Toda tarde, na hora do lanche, lá vem Dona Naná com uma surpresa de lamber os beiços:  canjica, doce-de-leite, pé-de-moleque, arroz doce, bolo, cada bolo recheado!   Uma gostosura só!
    Lilica adora comer canjica, consegue comer até três potinhos bem cheios duma só vez.   Será que Lilica é gulosa?
    Ela é muito moleca; se diverte muito espantando as galinhas e morre de rir porque elas  ficam assustadas correndo pra lá e pra cá  cacarejando.   O galo zangado, com as penas todas eriçadas em volta do pescoço como a juba do leão, tenta defendê-las;  com as asas abertas corre atrás de Lilica, que bicá-la a todo custo.    E olha que bicada  de galo bravo doi pra valer!
   Mamãe Tereza não gosta disso e conta que Lilica só se acomoda um pouco na hora de fazer suas lições.   Ainda assim a mamãe tem que ficar de olho, senão a danada é capaz de escapar, pois qualquer barulhinho que escuta tira-lhe a concentração.   Se  for algum animalzinho que aparece, Lilica esquece de tudo. corre atrás até ele desaparecer no mato.
    O pomar da fazenda é a algria da criançada.   Sempre tem frutas maduras e fresquinhas.   Você já viu uma jabuticabeira carregadinha de jabuticabas?    É a coisa mais linda de se ver.  Os galhos ficam pretinhos...pretinhos..., Uma frutinha grudadinha na outra.
    Bem, outro fato surpreendente voltou a acontecer.   Lilica estava sozinha no pomar debaixo de um pé de pitangas.   Olhou pro alto e viu os galhos carregados de carambolas amarelinhas, no ponto pra comer.   Correu até sua casa e trouxe uma cestinha.   Queria enchê-la e fazer surpresa a todos.   No momento em que chegou ao galho mais baixo, levantou a cestinha.   Qual não foi seu espanto: a cestinha já estava tão cheia, mas tão cheia que até algumas pitangas caíram no chão.
    Outra mágica?   Mas quem estaria fazendo isso?   Lilica pensou que alguma criança estivesse escondida lá no alto, no meio dos galhos, querendo assustá-la.   Chamou bem alto, tornou a chamar e nada!   Ninguém respondeu.   Silêncio total.   Ficou toda arrepiada e pensativa durante vários dias, mas não contou nada a ninguém.   Depois se esqueceu daquilo.
    Era o mês de julho.   As crianças estavam de férias.   Fazia muito frio.   A noite estava linda e o céu cheínho de estrelas.   A lua grande e inteira prateava tudo lá do alto.   Já era bem tarde e todos já dormiam.   O silêncio era total.
    Lilica acordou ouvindo um som suave.   Uma flauta tocava uma canção doce e harmoniosa.   Lilica levantou devagarinho e pecebeu que a música vinha lá de fora.   Na pontinha dos pés, pra não acordar ninguém, caminhou até a porta e  virou a chave e a maçaneta bem devagarinho.   A porta se abriu e um vento gelado tocou seu rosto.   Uma luz muito forte e brilhante ofuscou sua visão.   Um perfume delicioso e suave expandiu-se no ar, um perfume diferente dos perfumes de flor que ela já conhecia tão bem.
                                        Uma melodia sublime...
                                         Uma luz brilhante...
                                          Um perfume doce...
    De repente, no meio disso tudo, Lilica viu uma jovem dona de uma beleza que ela nunca vira antes.
    A menina ficou paralisada.   Tentou balbuciar algumas palavras, mas não saía nada.   A voz ficara entalada na garganta.
    __ Não tenha medo! disse a jovem.   Eu sou sua fada madrinha.   Você nasceu com a minha marca no corpo: "uma pinta em forma de estrela".   Sei que  já percebeu algumas coisas estranhas que lhe aconteceram.   Você ficou espantada achando que era mágica.   Sou eu que sempre estou pertinho para protegê-la.   Não conte nada a ninguém.   É um segredinho só nosso.   Se você contar, eu terei que ir embora e nunca mais voltarei.
    Aos poucos, a luz foi se apagando, o som da música sumiu e o perfume  desapareceu do ar. E a fada também não estava mais lá.  .
    Lilica voltou rápido pro quarto, antes que alguém acordasse.   Adormeceu profundamente.  
    No dia seguinte, quando acordou, estava com uma grande dúvida na cabeça: será qque tudo aquilo acontecera de verdade, ou fora apenas um sonho?   Ficou na dúvida, mas decidiu que não contaria a ninguém.
   E você, o que acha?   A Lilica sonhou?   Ou tudo aconteceu de verdade?   Será que ela tem super poderes e uma "Fada Madrinha" que a protege?
   
        Olha só as carambolas madurinhas!










    Olha só a jabuticabeira!
        pretinha...
                           pretinha...  
 





Pitangas
                     vermelhinhas

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Querido Papai Noel

   QUERIDO PAPAI NOEL


  Eu sou a Bia.
  Queria muito neste Natal ganhar um notebook cor-de-rosa,  igualzinho ao que minha amiguinha Lena ganhou no aniversário dela.
  Sabe Papai Noel, nem sei se eu mereço esse presente porque desobedeci minha mãe várias vezes e briguei muito com meu irmão.  Ele é muito chato e quer controlar tudo o que eu faço só porque é mais velho que eu.  
  Eu prometo,  Papai Noel,  que vou melhorar e ficar mais boazinha.
  Você já tem computador?
  No ano que vem vou mandar minha cartinha pro seu email.  E não se esqueça de deixar seu email escrito num papelzinho junto do meu presente.
  Um beijão Papai Noel.

                                                                 Bia


(criação de texto em forma de carta escrita por uma criança ao Papai Noel)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

poesia infantil

      Meninada venha cá
    pro zoo vou te levar.
    Muitos bichos engraçados
    vamos encontrar lá.

                                                  O leão é poderoso
                                                  mas parece tão dengoso!
                                                  Vai pra lá, vem pra cá
                                                   querendo nos assustar!


    Azul, verde, amarela
    é a arara colorida.
    Dá um grito muito forte
    E logo sai numa corrida.


                                                   O macaco engraçado
                                                    faz micagens sem parar.
                                                    Debruça no cercado
                                                    querendo a todos beijar.


 A noite já chegou.
 O passeio acabou.
 A bicharada cansada
 quer dormir bem sossegada...


(atividade proposta: criar poesia infantil)
Texto:  Hirtis
  

Nietzsche

   Segundo Nietzsche:

                       "Nós precisamos da arte para que a verdade
 não nos mate".

(seria a  VERDADE assim tão terrível?)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Adoro tomar banho




Vou contar um segredinho:" a Léia fica toda molhadinha, durante o meu banho".
Sabe por quê?
Eu adoro bater os pés. Acho que até já sei nadar.
Qualquer dia desses, vou até a piscina, bem escondidinho e dar um mergulho. (a mamãe não pode nem desconfiar dessas minhas idéias geniais)
BRUNO

Frase do dia



Ouvi esta frase e achei genial:

"Quando o poder corrompe, corrompe até não poder mais.



(autor desconhecido por mim)



quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Cabeça de criança

Era uma vez uma família super legal: mamãe Bete, papai Artur e Eu. Eu sou o Lucas e tenho quatro anos. A Leia também mora lá em casa e cuida de mim, porque meus pais trabalham. Bem, eu gostaria que a mamãe ficasse em casa, mas ela explicou direitinho porquê precisa trabalhar. Até deu pra entender.
A Leia sempre me leva pra brincar no parquinho que fica perto de casa. É um lugar bonito e bem cuidado. Tem muitos brinquedos divertidos, canteiros de flores e árvores bem altas; ficamos debaixo delas quando faz muito calor. É uma delícia...
Outro dia, o Tiaguinho, meu amigo, estava no balanço. De repente, quando olhei, levei aquele susto! Parecia que ele estava voando cada vez mais alto. BUUUMMM. Eu até tapei meus olhos. O Tiago, Naquele vai e vem, caiu lá do alto e se esborrachou. Foi uma gritaria só. Ainda bem que só raspou o joelho. É isso que dá ser desobediente e querer se mostrar. Ele se "achava".
Gosto muito de brincar no gira-gira de madeira pintado de branco, preto e vermelho. São as cores do time do meu pai. Ele já me levou no Morumbi. Foi uma loucura. Quando o São Paulo fez um gol, ele parecia uma criança, gritava mais que tudo e eu até achei que ele tinha perdido o juízo.
Minha maior aventura mesmo é no escorregador. A gente vem escorregando tão rápido que até parece carro de corrida. Cair naquele montão de areia é a maior delíciaaaaa. Escorrego tantas vezes, que nem dá pra contar e fico de "saco cheio", mas é cheio de areia, até dentro da orelha ela entra.
Outro dia, a Leia estava distraída e eu apanhei uma flor vermelha no jardim do parquinho. Eu queria dar pra minha mãe. Ela gosta muito de flor. A Léia chamou minha atenção e me ensinou o que é "coisa pública" e que devemos respeitar. Ela é muito sabida. Entendi tudinho, mas não consigo explicar. Explicar é complicado. Sabe eu pensava que meu pai apanhava flores lá, no nosso parquinho pra dar a mamãe.
Amanda é a minha melhor amiguinha. Vai sempre lá em casa brincar comigo. Às vezes, brigamos, a gente não se entende em algumas coisas. Meu pai diz qué é difícil entender as mulheres. Ela tem olhos azuis e o cabelo bem branquinho. Engraçado, a minha avó também tem olhos azuis e o cabelo branco. Será que a Amandinha já está ficando velhinha?
Vou mudar de conversa: comecei a perceber que minha mãe estava ficando diferente, barriguda igualzinha ao hipopótamo, Mas sabe o que está acontecendo? Dentro da barriga dela tem um bebezinho. Os dois me contaram que vou ganhar uma irmâzinha, a Eduarda. Escolhemos esse nome pra ela. Agora dou beijo e faço carinho na barriga da mamãe. Fiquei sabendo que a Duda (esse é o apelido dela) entende tudinho. Ihhhhh, lembrei de uma coisa: será que ela vai quebrar meus brinquedos? Ai dela se isso acontecer.
Ando pensando numas coisas e estou meio preocupado.
Será que a barriga dela vai crescendo...crescendo sem parar até explodir como balão de aniversário? Ou será que vai acontecer igual ao que aconteceu comigo outro dia. Eu me lembro que estávamos almoçando e, sem querer, engoli um pedaço grande de carne sem mastigar. A carne ficou entalada e comecei a passar mal. Papai me colocou no colo, deu umas palmadas nas minhas costas e o pedaço de carne deu um pulo, passou pela minha boca e caiu longe, igual rolha de bebida de gente grande. Pode ser, então, que o papai vai colocar a mamãe no colo, dar umas palmadas bem fortes nas suas costas e a Eduarda vai saltar pela sua boca. É melhor eu ficar por perto pra ajudar e não deixar o bebê cair no chão.
Bem, quando eu ficar sabendo como tudo vai acontecer, conto pra vocês, se vocês quiserem saber.

(cabeça de criança não é gaveta onde se guardam informações. É canteiro onde nascem perguntas)




Texto escrito por Hirtis
Atividade sugerida: criar um conto infantil